Estava dentro de um dos muitos vagões de uma das muitas linhas de uma das muitas companias dentro daquilo que era chamado estado democrático, como tantos outros são. Erroniamente ou não, ali me concentrei numa conversa aleatória, era uma menina brigando com seu namorado por uma ação ocasionada por um terceiro, ou na verdade pela falta de ação provinda da parte dele em relação à ela. Pelo que entendi faziam algumas semanas que não se viam. Logo perdi minha atenção por eles, quando notei outro casal do outro lado da armadura. Eles estavam indo na mesma direção que eu, eles eram apenas amigos, mas tinham uma conexão como tantas outras que por aí se nota, erroniamente colocada.
Dentro da armadura existia ainda uma velha senhora, ela pendurava seus sapatos sobre suas pernas, não entendi muito bem o ritual, ela parecia se queixar de algo. Uma indiscreta mordomia, uma indiscreta dor, qual não se cansava facilmente, não se cansou até agora. E provavelmente qual não se cansará até que se mude daquela casa, cheia de burracos e falhas, que seu filho havia construído. Pelo menos foi essa a parte que ouvi na sua conversa no telefone.
Não entendia a garota a razão de sua pessoa especial não querer a ver. Mas ela também estava falando em outro celular com uma outra pessoa, diferente da primeira, mas do sexo oposto dela, parecia-me ser mais íntimo que sua pessoa especial, não entendi a razão, então me interessei em saber, prestei atenção em suas palavras “Olha como ele fala comigo, ele diz que estamos três semanas sem se ver, mas na verdade fazem 16 dias” “Sim concordo com você, acho que ele fala demais também, acredita que ele ainda está cantando pra mim?” “Não, não é aquela música boba sabe? Aquela que a gente ouviu quando se conheceu…” .
Eu voltei minha atenção para o casal de amigos, notei que ela usava uma aliança, ele também, mas eram diferentes, a dela era dourada a dele prateada, mas ela se escorava no ombro dele.
Ali nenhum tempo era demais, entre as estações, entre os anos, entre o tempo de chegar e o tempo de partir.
Histórias se compartilhavam, sem saber uma das outras, eu apenas as observava e mentalmetne as escrevi.
Uma hora, próxima do fim, a armadura parou por um tempo maior, congelou-se o momento, ficamos ali sempre imóveis, um observando o outro, um trocando de papel com o outro, entrou por um lado e saiu pelo outro aquele diferente ser. Era um estranho todos notavam, mas estava ali para fortificar a armadura.
Supervalorizada aonde aqueles que ali andam acham que estariam seguros. Mas não estão seguros, pois ainda tem que lidar consigo mesmo, é dentro de si que existem os piores demônios e fantasmas.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Numa armadura supervalorizada.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário