sexta-feira, 22 de abril de 2011

Em caso de emergência quebre o vidro, com o trem parado.

Estava tudo indo rápido demais, vezes por vezes eram os problemas dos problemas, quais não possuíam solução se não o próprio problema. Acreditavam que não seria a vez deles, que estavam apenas no caminho de uma outra longa jornada. E, na verdade, pensavam somente que logo estariam ali, novamente, fazendo o mesmo trajeto, passando pela mesma paisagem. Qual ficaria desgastada com o tempo, e seus olhos os impediriam de notar as novidades daquela terra constante.
Foi durante uma garoa que se conheceram, apesar de tantas, em uma delas, um deles se perdeu de seu caminho comum, e foi de encontro a ela, quem à principio não entendeu o que acontecera. Mas encantou-se. Era então sua primeira vez.
Sua suave curva dentro de seu sorriso, seu suave olhar dentro daquelas grandes e inimagináveis copas pelas quais percorriam, juntos pela primeira vez, mas sem saber que estavam se encontrando ali. Ele se fez presente pela primeira vez em anos, pelos quais passou como um mero figurante, apenas como uma outra figura, ele ali se encontrou e sorriu.
Fantasia ou realidade, a suavidade o cercava, e ele agora não sabia como se relacionar com sua antiga vida, qual fora cercada pela falta de comoção por aquilo que se sonha, qual se preocupava com os outros prazeres, os mais simples, aqueles quais todos os que estavam naquele vagão já conheciam.
Se fazia sempre presente, aquela sensação de abandonar esses problemas, essas soluções, toda essa falta de viver, toda essa falta de nascer e morrer. De simplesmente correr daquelas tardes regadas pelo sorriso, de fugir, encontrando apenas um ponto fixo no horizonte, focando no mesmo e fazendo dele seu norte, seu guia.
Não existira tal guia para aqueles que passava dias e noites em claro, pensando e remoendo as coisas que aconteciam. Não parava nunca, nem durante as tardes, apesar de durante as tardes, quase se desligar, quando chegava em casa, as analisava, como se fossem películas, quais pode-se pausar, assistir em maior qualidade e dar maior fidelidade aos detalhes.
O pomar sempre foi recente, até agora, quando passava por este. E observava suas crianças crescendo, se desenvolvendo. Ele se tornou completo, apenas naquela fração. Ele se tornou aquilo que sempre sonhou, um homem qual a realidade não abandona. Um homem que não viveu um sonho, que o transformou em algo factível.
Em caso de emergência, quebro o vidro, mas o trem não está parado, e nem pretende.

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