Não fazia muito tempo desde que havia deixado o cigarro queimando, ali naquele pedaço da calçada qual sempre costumava sentar, esperando o fatídico dia em que veria o sol na linha do horizonte, e então teria certeza, seu tempo havia chego.
Agora percorria as ruas vazias, pelas esquinas mal-tratadas pela tempestade, o chão estava escorregadio, como ele estava naquela noite anterior, como ele também, a rua estava para boa fortuna, ele não foi pego, ele não era nem suspeito, mas já sabia que deveria percorrer esta rua, caso contrário, a rua o perseguiria.
Escorrendo pela queda da escadaria que o levaria para um lugar mais obscuro, ele se lembrou de como estava escuro ontem, de como as luzes dos postes estavam tão distantes, que ele pensou serem estrelas. Estrelas com as quais ele poderia se juntar, após aquela noite. Pelo tanto feito, pelo tanto não dito.
Agora já se ouviam as sirenes, ao longe, era possível avistar os carros passando e ignorando o cigarro e sua fumaça, pensou o detetive que ele estava ali até poucos instantes atrás, mas agora está perdido para sempre.
Ele apenas deu a volta no quarteirão, mas a polícia não voltou para procurar, pois já sabia que ele não havia cometido o crime, e mesmo se tivesse, não seria possível captura-lo.
Ele estava confuso, não se lembrava direito da noite anterior, lembrava do rosto que rasgava sua face, lembrava das luzes, das risadas, de um choro ao fundo, um música que ditava o ritmo das cores que percorriam sua memória. Parecia uma crise, pelas emoções fortes, parecia um velho por não se lembrar daquilo que havia feito.
Ela, estava lá no lugar em que combinaram, porém estava sozinha, pois ele não se lembraria, por muitos anos à se passar, que encontraste a razão de viver, mas se esqueceu que ela era como ele, apenas outra pessoa em crise.
O crime da meia idade é entrar em crise por ser o que se deveria ser, mas não se lembrar daquilo que queria ser.
Nenhum comentário:
Postar um comentário