sábado, 14 de maio de 2011

Avenida S/Nº

Levados por esses camionhos sem paralelos, por essas ruas sem nome, essa vertigem coletiva, ando mas tudo o que vejo são corpos parados, eles estão indo na mesma direção que eu, ninguém ousa quebrar a maré, ninguém ainda ousou sair do cardume. Essa organizada baderna de sentimentos atirados por bocas-de-lobo, bueiros entupidos com a sujeira que vem de nossas mentes. Tudo aquele lixo que criamos acaba no mesmo lugar. Mesmo quando não é palpável, tem um fim, seu fim está na mesma linha deste fio que te segura aqui.
Todos esses fios que entrelaçam-se para formar a rede que estamos. É essa rede social, que é formada por pessoas tão reais quanto suas páginas, páginas e páginas de conteúdo infindável. Nas estrelas existem mentiras quais acreditamos, quais tornamos realidade.
A simbolica dor que me trouxe à esse lugar, me faz me perder novamente. Vejo tua pele, não acredito que esteja ali, acredito quando vejo alguém mais, talvez você, me falando que está. De que adianta a realidade se as palavras não são visíveis nela?
Palavras se tornam vento.
Avenidas ostentam com orgulho nomes, números e tijolos. Se não, o que mais as chamaria, se não apenas aqueles que a encontraram? Aí então cada avenida teria seu nome para cada pessoa, não existiria rede, não existiria o social. Se não fosse pelas ruas, não estariamos juntos, seriamos apenas ligações desconhecidas por entre nós mesmos.
Seriamos apenas nômades, não nos misturariamos, mas também não nos importariamos com o que se fala ou se diz de tal lugar, afinal cada um teria seu próprio nome para o lugar e todos estariamos a par disso, não do nome, mas de que existe um para cada. Que não importa quem seja você, não é seu. Nada lhê pertence, apenas existe, e você pode ter um nome na sua cabeça para aquilo, mas esse nome é seu e não dos outros.
Como se deve nomear cada coisa, se deve saber diferenciar seus nomes, saber dizer que a rua, não é uma avenida, nem uma praça. É apenas uma rua, com um nome seu, e não de outro qualquer.
Foi na avenida S/Nº é aquela que eu escolhi morar, e não venha me perguntar como nela chegar, não vou saber te explicar.

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